Contar Para Viver

Esta pagina tem como objetivo reunir pecas que eu escrevi. Elas são basicamente fotos e textos de momentos da minha vida. A maioria dos textos foram escritos em momentos de grande angustia e desesperança, pois nos demais momentos eu dificilmente pararia para escrever. Aproveite.

Sunday

Encontro Sobre as Águas

Janeiro de 2005

Já havia sonhado com ela antes. Daqueles sonhos de acordar encharcado de suor no meio da madrugada. Assim, aquele dia na praia, não posso dizer que a conheci pela primeira vez. De uma beleza rara, poderia ficar horas olhando para ela de uma distancia segura. Sempre de uma distancia segura. Não queria que ela desconfiasse que a estava olhando, observando, estudando. Mas naquele dia na praia, eu me distrai. A água, um pouco mais turva que o normal dificultava a visibilidade. Senti que esse fenômeno se repetia com os demais sentidos. Estava observando a sombra do vento na água com tanta intensidade que já perdia a noção do espaço ao meu redor. Uma rajadinha um pouco mais forte fazia espuma com os cumes das pequenas marolas que vinham em minha direção e me balançavam de leve.
Foi assim que ela me apareceu. De repente, toda minha tranqüilidade se inundou com angustia. As pequenas ondinhas nos juntaram e eu já não sabia se o que sentia era real ou imaginário. Parecia mais um choque de alta voltagem. Meu coração disparou. Uma alucinação em pleno dia. Um breve toque, estou certo de que não foi mais que isso. Nunca senti tanta coisa em uma fração de segundo. Beirava a insensatez. Mergulhei no sentido oposto, esfriando a cabeça e reconquistando o auto-controle.
Ao retornar, me sentia mais leve e aliviado. Ate contente. Pensava se deixariam marcas este breve encontro. Olhei para traz e nada. Como se nada houvesse acontecido segundos atrás. Se para ela o mundo andava ao mesmo compasso que antes para mim não. E foi assim, sem mais nada que me despedi da minha tão temida água-viva.

De Onibus

Rio de Janeiro, terca feira, 30 de novembro de 2004

Pobre so se fode. Isso todo mundo ja sabe, mas so presenciando para constatar! Apos chegar no Rio (de SP de aviao), e fazer uma velejada sensacional com o meu pai pela Bahia de Guanabara, seguiria por onibus para Buzios.
Ao chegar na rodoviaria, um malabarismo para desviar da multidao de pedintes pedindo esmola. Consegui achar o guiche da “1001” e comprei meu bilhete por R$ 15,00. Um rapido passieo pela rodoviaria e decidi tomar um suco. Pulei pra traz de susto! R$ 2,80 o suco ( no aeroporto era 1,80)! Fui pra outra lanchonete aonde consegui um suco mais barato e fui perambular pelas lojinhas. Fiquei, como sempre fico, hipnootizado pelos postais do Rio. Decidi comprar uns dois quando vi o preco: R$ 1,00. No aeroporto nao passava de 50 c! Fim da picada!
Continuei andando e encontrei uma coisa que sempre achei que deveria existir mas nunca imaginei encontrar: Um “Centro para carga de aparelhos eletricos” com uma serie de sugestoes dos aparelhos que poderiam ser recarregados (cellular, walkman, barbeador, palm). O “Centro”, que nao passava de uma mesa com 3 tomadas nao estava sendo vigiado por ninguem, o que queria dizer que devia ser de graca! Fiquei ate com vontade de botar o meu cellular, walkman, e por que nao, minha palm tambem para carregar. O mundo e belo. Fiquei todo feliz com a bondade e consideracao que as pessoas tem umas com as outras. Quem bolou este “Centro” certamente buscava agradar aos passageiros sem nenhum interesse commercial ou segundas intencoes. Essa minha nova visao do mundo so se acentuava quando logo adiante vi um bebedouro (tambem gratis). Para o uso comum das pessoas.
Nao sei se foi pelo passeio, pelo copo de suco que tomara minutos atras, ou mesmo por ansieadade pois o onibus partiria em breve, mas fiquei com vontade de ir ao banheiro. Ao encontrar o “Sanitario”, percebi como estava enganado. Nao existe mais bondade neste mundo capitalista, e como sempre, sobra pro pobre. Nada menos que R$ 1,00 para dar uma mijadinha. Fiquei com raiva, e com a intencao de fazer cada centavo valer, pensei ate em fazer as demais necessidades. Mas, infelizmente, ou melhor, felizmente, nao estava com vontade de fazer mais nada alem do essencial.
Olha como e o mundo. Eu posso carregar o meu palm, MP3 –player e barbeador de graca, mas o pobre coitado precisa pagar R$ 1,00 para ir ao banheiro. Fiquei ate com vontade de voltar ate a porta e distribuir umas esmolas. Coitados, com certeza alguns deles deviam estar bem apertados, sem grana para ir ao banheiro!
Bom , deixei o banheiro de lado e fui para o meu terminal. Na rampa que dava acesso ao meu terminal (e uns outros 10 mais) tinha uma cabine com a seguinte frase: “Passagem de acompanhantes: R$ 1,50”. Sera que se voce comprar uma passagem tem direito a levar um acompanhante por apenas R$ 1,50? Nao podia ser. Isso nao estava condizente com o resto do mundo capitalista, e alem do mais, o lugar aonde se comprava passagem estava longe demais. Fiquei observando e um casal passou pelo guiche e comprou um destes tickets. Em seguida veio outro casal e fez o mesmo. Nao me contive e fui ao guiche perguntar que raios era essa tal passagem de acompanhante. Fiquei surpreso ao constatar a minha suspeita: Os R$ 1,50 eram para o acompanhante poder descer a rampa junto com o que viajava e despedir-se dele/dela a antiga, na porta do onibus!!!
Sem saber o que pensar dos costumes do meu proprio pais, desci a rampa e subi no onibus. Deitei minha cadeira (aqui pode antes da decolagem), que alias inclinou-se bem mais que eu esperava (nem se compara com a inclinacaozinha do aviao). Liguei meu walkman e parti para Buzios debaixo de um por-do-sol lindo perto da rodoviaria. O cenario foi seguido por um anoitecer ainda mais bonito sobre a ponte de Niteroi…

Uma Carta Para Quem Nao Merece

Abril de 2004

Nao te conheco, nem voce a mim
O destino quis que fosse assim
Cada um na sua vidinha pacata
De tropeco em engano a gente se arrasta

Mas certo dia, o destino de folga
Num lugar bem distante a gente se cruza
Uma palavra no ar e um logo se empolga
De uns beijos pirados uma vaga lembranca

Mas segunda feira logo chegou
E ao seu trabalho o destino voltou
Ao ver o deslize que cometera
Foi logo encobrir sua grande besteira

Apagou da memoria aquela tarde ensolarada
Tentou ate me arrumar uma namorada
Fez voce assistir aquele filme sacana
“Como perder um homem em uma semana”

Se e assim que funciona, perdemos os dois
Sua cor de pecado eu esqueci
Tambem dos teus labios de Angelina Jolie
Vou indo agora, mas deixo o adeus para depois

Noite em Claro


Marco de 2004

Pensando em voce, eu passei esta noite
Perdido nos pensamentos, impedido na acao
Azul de frio, nossa cama vazia
Virando e rodando, devaneios sem razao

Desejo sufocado nesse perfume de mulher
Podendo fazer de mim o que bem quer
Me queima por dentro, me envolve em chama,
Nao me deixa dormir essa tal Fabiana

Menino complicado, romance proibido
Romeu e Julieta, macabre destino
Uma noite em claro, um oceano vazio
Nao conheco a paz, que belo castigo

Traido eu fui pelo sono amigo
Exposto fiquei sem o velho abrigo
Nao consigo fugir nem os olhos fechar
Voce arruma um jeito de me atazanar

E eu me pergunto se em mim voce pensa
Ou se e so minha essa solitaria doenca
Eu ja nao sei o que penso, o que digo
So o tempo e capaz, nosso caso impossivel

Partindo

Fevereiro de 2004

Foi de partida que te encontrei
Foi de saída que a ti cheguei
Na despedida fui te conhecer
Indo embora, nunca mais te ver

Ninguém entende as coisas da vida
Nos encontramos foi por um acaso.
Cada um na sua, de malas prontas
Nosso destino foi um atraso

Doce atraso, queria esperar mais
Ao seu lado, estava em paz
Sabia muito bem aonde ia
Mas te deixar era o que eu não queria

Largar tudo para contigo ir
Qualquer destino, coisa de louco,
Para de ti nunca mais partir
Exagerado? Talvez um pouco

Só rindo para não chorar
As coisas que o destino vem me aprontar.
Te encontrar na hora da partida
Te conhecer na despedida