Contar Para Viver

Esta pagina tem como objetivo reunir pecas que eu escrevi. Elas são basicamente fotos e textos de momentos da minha vida. A maioria dos textos foram escritos em momentos de grande angustia e desesperança, pois nos demais momentos eu dificilmente pararia para escrever. Aproveite.

Sunday

De Onibus

Rio de Janeiro, terca feira, 30 de novembro de 2004

Pobre so se fode. Isso todo mundo ja sabe, mas so presenciando para constatar! Apos chegar no Rio (de SP de aviao), e fazer uma velejada sensacional com o meu pai pela Bahia de Guanabara, seguiria por onibus para Buzios.
Ao chegar na rodoviaria, um malabarismo para desviar da multidao de pedintes pedindo esmola. Consegui achar o guiche da “1001” e comprei meu bilhete por R$ 15,00. Um rapido passieo pela rodoviaria e decidi tomar um suco. Pulei pra traz de susto! R$ 2,80 o suco ( no aeroporto era 1,80)! Fui pra outra lanchonete aonde consegui um suco mais barato e fui perambular pelas lojinhas. Fiquei, como sempre fico, hipnootizado pelos postais do Rio. Decidi comprar uns dois quando vi o preco: R$ 1,00. No aeroporto nao passava de 50 c! Fim da picada!
Continuei andando e encontrei uma coisa que sempre achei que deveria existir mas nunca imaginei encontrar: Um “Centro para carga de aparelhos eletricos” com uma serie de sugestoes dos aparelhos que poderiam ser recarregados (cellular, walkman, barbeador, palm). O “Centro”, que nao passava de uma mesa com 3 tomadas nao estava sendo vigiado por ninguem, o que queria dizer que devia ser de graca! Fiquei ate com vontade de botar o meu cellular, walkman, e por que nao, minha palm tambem para carregar. O mundo e belo. Fiquei todo feliz com a bondade e consideracao que as pessoas tem umas com as outras. Quem bolou este “Centro” certamente buscava agradar aos passageiros sem nenhum interesse commercial ou segundas intencoes. Essa minha nova visao do mundo so se acentuava quando logo adiante vi um bebedouro (tambem gratis). Para o uso comum das pessoas.
Nao sei se foi pelo passeio, pelo copo de suco que tomara minutos atras, ou mesmo por ansieadade pois o onibus partiria em breve, mas fiquei com vontade de ir ao banheiro. Ao encontrar o “Sanitario”, percebi como estava enganado. Nao existe mais bondade neste mundo capitalista, e como sempre, sobra pro pobre. Nada menos que R$ 1,00 para dar uma mijadinha. Fiquei com raiva, e com a intencao de fazer cada centavo valer, pensei ate em fazer as demais necessidades. Mas, infelizmente, ou melhor, felizmente, nao estava com vontade de fazer mais nada alem do essencial.
Olha como e o mundo. Eu posso carregar o meu palm, MP3 –player e barbeador de graca, mas o pobre coitado precisa pagar R$ 1,00 para ir ao banheiro. Fiquei ate com vontade de voltar ate a porta e distribuir umas esmolas. Coitados, com certeza alguns deles deviam estar bem apertados, sem grana para ir ao banheiro!
Bom , deixei o banheiro de lado e fui para o meu terminal. Na rampa que dava acesso ao meu terminal (e uns outros 10 mais) tinha uma cabine com a seguinte frase: “Passagem de acompanhantes: R$ 1,50”. Sera que se voce comprar uma passagem tem direito a levar um acompanhante por apenas R$ 1,50? Nao podia ser. Isso nao estava condizente com o resto do mundo capitalista, e alem do mais, o lugar aonde se comprava passagem estava longe demais. Fiquei observando e um casal passou pelo guiche e comprou um destes tickets. Em seguida veio outro casal e fez o mesmo. Nao me contive e fui ao guiche perguntar que raios era essa tal passagem de acompanhante. Fiquei surpreso ao constatar a minha suspeita: Os R$ 1,50 eram para o acompanhante poder descer a rampa junto com o que viajava e despedir-se dele/dela a antiga, na porta do onibus!!!
Sem saber o que pensar dos costumes do meu proprio pais, desci a rampa e subi no onibus. Deitei minha cadeira (aqui pode antes da decolagem), que alias inclinou-se bem mais que eu esperava (nem se compara com a inclinacaozinha do aviao). Liguei meu walkman e parti para Buzios debaixo de um por-do-sol lindo perto da rodoviaria. O cenario foi seguido por um anoitecer ainda mais bonito sobre a ponte de Niteroi…

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