Preso
13 de Julho de 2006
Prendi o detrás de grades
Para de lá nunca mais sair
Antes de ir, por um instante o olhei
E de sua face nunca mais esquecerei
Tinha uns olhinhos caídos
Não se via bem qual era a cor
Entre uma barba rala e mal feita
Cabelos morenos indomados
Uma pinta pequena e escura se destacava
Sob seu olho direito
E seu grande nariz não era tão bonito
Quanto era imponente
A gravidade puxava os cantos dos seus lábios para baixo
Mas o que se destacava no seu rosto eram seus olhos afundados
O contorno deles caia acentuadamente nos cantos
Dando a impressão que estavam sempre tristes
A sobrancelha escura e espessa
Colaborava para sombrear ainda mais
Seus olhos recuados
Que pareciam procurar algo no horizonte
Lentamente eles se moveram varrendo o ambiente ate pararem inesperadamente olhando diretamente para mim. Foi só ai que pude vê-los. Eram verde escuros marronzados e ardiam com tanta força que quis desviar o olhar. Não consegui. Eles me mantinham imóvel. Estremeci por dentro e tive a certeza de que estava errado ao tranca-lo la. Ele me deteve por mais alguns instantes, me testando, mas num gesto de misericórdia, finalmente desviou seu olhar. Ele sabia que eu fazia aquilo por que o tinha que fazer.


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