Pyrrhus
Hoje pensei em você (de novo)
Ta certo que as mensagens que você me mandou ontem não ajudaram muito. “Não há nada de errado em gostarmos um do outro. Você não vê que esta cometendo o maior erro da sua vida?” As vezes acho que você esta certa, as vezes acho que não. Vidinha de merda cheia de erros. Os acertos não consigo contar um. “Acorda, confie na sinceridade dos seus sentimentos. A vida é uma só. Porque sofrer tanto? Não faz isso comigo...”
Realmente acho que já sofri demais. Mas e agora? Será que voltar não é sofrer mais? Não faz sentido escolher o caminho pelo grau de sofrimento. Se bem que “acorda” sempre funciona comigo. Parece que estou sempre dormindo. Vendo o trem passar. Vendo a vida azedar. Confiar nos meus sentimentos também nunca foi meu forte. Não os interpreto bem. Não confio neles. As vezes parece que não sinto nada. Só dor. Que dor. Ai, essa eu sinto. Profunda, forte, aguda. Pesando sobre meu coração e meu peito. Me sufocando a garganta e me deixando sem ar. Enterrado vivo. A dor é tanta que as vezes acho que os dois metros de terra que me cobrirão um dia será mais leve e chego a ansiar por este dia. Mas hoje não. Hoje me sinto distante. Como se este que esta sofrendo não fosse eu. Um expectador desinteressado de uma tragédia alheia. “Eu te odeio”. Quero acelerar e puzar o breque de mão ao mesmo tempo. Essas palavras que outrora seriam como uma flechada cruel e venenosa me atingem como cotonetes voadores. As mesmas palavras que partiriam ao meio meu personagem principal não me atingem mais que um clipes de papel. Fico triste. Busco refugio na antiga sabedoria chinesa. Mas nada. Ao som de “Eu sei que vou te amar, por toda minha vida vou te amar...” fico melancólico e triste. Temo não amar mais ninguém. Ao mesmo tempo já não me importa tanto. Como um filme europeu, o final não é previsível. Mas tampouco é interessante. Sigo adiante, disposto a esquecer-te.
As tuas mensagens de ante-ontem também não ajudam muito. Achei que as tivesse esquecido mas agora me assombram como profecias cruéis. “Você e a pessoa mais importante para mim hoje. Quero que seja muito feliz, mas o que eu sinto por você é inexplicável... Eu acho que uma coisa tão grande assim so pode ser amor...Por favor não desiste desse sentimento tão forte e tão bonito. Hoje eu tive certeza que você me ama também! Um amor desses merece crescer. To sofrendo muito por você. Não desiste de mim... Eu aprendo tudo sobre sua religião e prometo te fazer a pessoa mais feliz do mundo. Eu te amo!” Não me reconheço num quarto sozinho. Existe uma porta aberta. Uma chance em mil de eu ainda ser feliz nesta vida. As vezes sinto pena de você. Desistir de mim mesmo é aceitável, não me deixa grandes rancores. Mas de você é cruel. Esmagar um coração tão puro e inocente. Acho que hoje essa é a parte que mais me dói. Eu queria ainda ter essa bondade, essa alegria, essa esperança. Essa joie-de-vivre. Mais do que a infelicidade, meu fardo é saber que te fiz infeliz.
Gostaria de mudar isso mas não tenho forças. Não tenho meios, não tenho capacidade, mas principalmente não tenho forças. Como na vitória de Pyrrhus, me arrasto de volta a minha casa. Me rastejo em direção a uma nova vida. Uma vida sem você.


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