Com gel no cabelo eu arruma a gravata
Me preparo para a farsa do ano
Impecável. Vestido para matar, ou morrer
Ponho o relógio que brilha. A hora esta chegando
Minhas costas retas se curvam diante do burburinho que vem em direção ao meu quarto.
“Fica feliz, eu quero te ver feliz!”
o tom é entre o esperançoso e o suplicante. Hoje ainda vai ser mais tranqüilo. Semana que vem terá mais gente. As vezes no meio de mais gente da para disfarçar melhor. Disfarçar o vulcão que eu sinto por dentro e que vejo externalizando lentamente, em alguns poucos traços e dobras da minha fisionomia que já não é tão jovial ou inocente como outrora. Mesmo assim me preparo. Visto o cinto e calço os sapatos. Como um condenado que caminha lentamente em direção a forca com as forças dos próprios pés. O pensamento não esta na fuga. Esse ultimo brilho de esperança se foi a não muito tempo atrás. Há quem argumente que o vazio no olhar do desesperançado seja mais triste que as lagrimas do suplicante.